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PF aponta ligações entre senador e ministro do STJ em investigação

Por Jornal de Barcelos · · 3 min de leitura
PF aponta ligações entre senador e ministro do STJ em investigação
senador weverton rocha

A Polícia Federal apontou a existência de comunicações repetidas entre o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Humberto Martins. Os contatos ocorreram durante o período em que o magistrado foi relator de uma investigação sobre um homicídio em São Luís.

A suspeita da PF é de que o senador tentou interferir no inquérito. O caso apura se o crime está ligado a uma suposta cobrança de propina por Daniel Brandão, atual presidente do TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Maranhão. Ele é sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB).

O caso está agora sob responsabilidade do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), por causa das suspeitas sobre Weverton. A informação sobre os telefonemas está em uma decisão de Dino tornada pública nesta sexta-feira (14).

Procurado, o senador não se manifestou. O ministro do STJ, que não é investigado formalmente, também foi procurado e não se posicionou.

As comunicações foram identificadas pela PF a partir da análise do celular de Weverton, apreendido no ano passado em uma operação sobre desvios relacionados ao INSS. Dino pediu que André Mendonça, relator do caso, compartilhasse os dados com a investigação do Maranhão.

A PF disse que os dados do celular revelam “a existência de comunicações diretas com o ministro do STJ Humberto Martins, mantidas de forma reiterada entre 25.jan.2023 e 04.out.2025”. Segundo o órgão, os contatos ocorreram por mensagens de texto, áudios, ligações telefônicas e compartilhamento de mídias.

“O conteúdo acessível evidencia diálogos que versam sobre encontros pessoais e processos sob relatoria do referido ministro. Inicialmente, evidenciou-se a existência de uma relação de proximidade pessoal entre os interlocutores, que ultrapassa os limites de uma interação meramente formal ou institucional”, afirma a PF.

A PF afirma que o senador fazia pedidos ao ministro sobre ações que tramitavam sob sua relatoria e que houve um encontro pessoal no gabinete do magistrado em agosto do ano passado.

O órgão destaca um registro de 2 de junho do ano passado, com trocas de mensagens e uma ligação de cerca de cinco minutos, seguida de um áudio em que o senador menciona dificuldades de conexão. “Meu irmão, caiu aqui porque é ruim mesmo a internet no Maranhão”, afirmou o senador.

Na mesma data, Martins determinou a transferência de Gilbson Cesar Soares Cutrim Júnior, condenado por ser o executor do assassinato em São Luís, do presídio de Pedrinhas para Brasília. O empresário João Bosco Sobrinho foi morto em 2022. Gilbson Cutrim foi condenado a 13 anos de prisão pela Justiça maranhense.

O caso no STJ apurava se o assassinato está ligado a uma suposta cobrança de propina por Daniel Brandão. Em novembro de 2025, por causa das suspeitas relacionadas a Weverton, o caso foi para o Supremo.

O episódio virou ponto central nas discussões da corrida pré-eleitoral pelo Governo do Maranhão e tem provocado trocas de acusações entre grupos ligados a Dino, dissidentes e opositores. A PF também apura se o assassinato teria relação com suspeitas de desvios de emendas parlamentares em contratos no Maranhão.

Procurados por meio da assessoria, Carlos e Daniel Brandão não se manifestaram. Eles negam irregularidades. Carlos Brandão disse em nota que os processos que enfrenta desde 2024 decorrem de narrativas manipuladas e surgiram após ele se distanciar de um grupo que tentava permanecer no poder.

Daniel Brandão afirmou que repudia as “reiteradas tentativas de associar seu nome a fatos criminosos sem qualquer prova” e que o condenado já disse em vídeos que ele não tem relação com os fatos. O presidente do TCE-MA acrescentou que as alegações “decorrem exclusivamente de narrativas” e que tentam vincular seu nome ao episódio em períodos de disputa eleitoral.

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