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DF: seis candidatos disputam o Buriti em 2026

Por Jornal de Barcelos · · 5 min de leitura
DF: seis candidatos disputam o Buriti em 2026
visita governadora celina leão ao jbr 5

Com o fim do prazo para as convenções partidárias, o Distrito Federal já tem o cenário eleitoral definido para a disputa ao governo. Seis candidatos foram lançados pelas principais siglas. Entre os nomes de destaque estão a governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador José Roberto Arruda (PSD). No campo progressista, o PT lançou Leandro Grass e o PSB aposta em Ricardo Cappelli. A centro-direita também conta com a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo).

A disputa, porém, não está totalmente definida e alguns fatores podem mudar o quadro até outubro. A crise do Banco Regional de Brasília (BRB), os problemas jurídicos de candidatos e a divisão no campo progressista são pontos que devem pesar nos próximos meses e influenciar a decisão do eleitorado brasiliense.

Celina Leão começa a corrida com vantagem por já ocupar o cargo. Ela tem maior visibilidade, pode apresentar as realizações de sua gestão e conta com o apoio da estrutura política construída pelo antecessor, Ibaneis Rocha (MDB). Por outro lado, herda o desgaste da administração, principalmente em relação à crise do BRB.

Arruda entra na disputa com capital eleitoral expressivo e identidade política consolidada. A candidatura se apresenta como uma alternativa no campo conservador e pode ser um dos principais concorrentes de Celina, evitando que a governadora concentre todos os votos da direita e centro-direita. O ex-governador, no entanto, enfrenta uma situação jurídica delicada que deve ser decisiva.

No campo progressista, há um racha. O PT lançou Grass, que aparece como o nome mais competitivo da esquerda, mas enfrenta a concorrência de Cappelli, que iniciou a campanha antes de consolidar a candidatura. Caputo e Belmonte, mais ligados ao centro, se apresentam como alternativas à polarização.

Crise no BRB

O BRB enfrenta uma crise financeira após a revelação de fraudes investigadas pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As irregularidades envolvem operações com o Banco Master e resultaram em um prejuízo estimado em cerca de R$ 12 bilhões para a instituição. O banco ainda não divulgou os balanços financeiros de 2025, documentos necessários para avaliar o rombo.

O prazo para a divulgação do balanço anual venceu em 31 de março. O BRB informou que o fechamento das demonstrações dependia da conclusão de auditorias e de tratativas com reguladores. Para tentar recuperar o banco, Celina fechou um acordo no STF que prevê uma operação de crédito de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O acordo, porém, ainda não teve resultados efetivos e não há previsão para os recursos entrarem no caixa da instituição, o que aumenta o risco de liquidação.

O mestre em Ciências Políticas Prof. Dr. Gustavo Javier Castro avalia que a condição do banco deve ser um tema central nas campanhas. Se o acordo não for concretizado antes das eleições, Celina terá que explicar por que uma solução anunciada e homologada ainda não produziu resultados. Isso pode enfraquecer o argumento de continuidade administrativa e capacidade de gestão.

Sobre uma possível liquidação, Castro afirma que as consequências seriam graves. “O BRB não é percebido apenas como uma instituição financeira, mas como um patrimônio econômico e simbólico do Distrito Federal. Uma crise extrema poderia produzir insegurança entre clientes, servidores, empresários e contribuintes, além de levantar questionamentos sobre a eventual utilização de recursos públicos para cobrir prejuízos”, explica.

Para o cientista político, seria plausível uma queda nas intenções de voto de Celina, mas o impacto depende de fatores como a proximidade do episódio com a eleição, a existência de perdas para correntistas e o grau de responsabilidade atribuído ao governo. “Uma atuação transparente, com divulgação de dados e identificação clara das responsabilidades, poderia limitar os danos. Uma postura defensiva ou marcada pela demora na prestação de informações tenderia a ampliar o desgaste. A crise do BRB é provavelmente o principal ponto de vulnerabilidade de sua candidatura”, argumenta.

Arruda e a Lei da Ficha Limpa

Arruda enfrenta uma situação delicada. Ele estava inelegível desde 2014 por um processo de improbidade administrativa ligado à Operação Caixa de Pandora, ocorrida em 2009. Com as mudanças na Lei da Ficha Limpa, o tempo de perda dos direitos políticos foi reduzido. O teto de inelegibilidade para condenações em múltiplos processos passou a ser de oito anos a partir da condenação em segundo grau.

O STF tem analisado os casos dos políticos enquadrados na norma. O julgamento está suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A relatora, ministra Cármen Lúcia, e o ministro Luiz Fux votaram pela inconstitucionalidade de dispositivos centrais da reforma. A legislação atual favorece a interpretação de que Arruda recuperou a elegibilidade, mas uma decisão contrária do STF pode comprometer a candidatura.

Segundo Castro, a retirada de Arruda mudaria o cenário político. “Ele não é apenas mais um candidato: representa uma parcela relevante do eleitorado conservador e reúne votos ligados à memória de suas administrações e à oposição ao grupo atualmente instalado no Palácio do Buriti”, avalia. A principal beneficiária seria Celina, pois parte dos eleitores de Arruda tenderia a migrar para ela, por proximidade ideológica. Essa transferência, porém, não seria automática. Parte dos eleitores pode interpretar a exclusão como uma decisão injusta e adotar postura de protesto, votando em outro candidato ou anulando o voto.

Racha na esquerda

A manutenção das candidaturas de Grass e Cappelli revela a dificuldade de unidade na esquerda. Ambos disputam o mesmo eleitorado e procuram vincular suas candidaturas ao projeto nacional de centro-esquerda. A divisão pode impedir que o campo progressista concentre votos suficientes para chegar ao segundo turno. “Em uma eleição na qual Celina e Arruda ocupam as primeiras posições, a fragmentação pode fazer com que os candidatos progressistas disputem entre si um eleitorado limitado”, argumenta Castro.

As duas candidaturas também significam divisão de recursos, tempo de propaganda e apoios partidários, o que dificulta a construção de uma narrativa comum sobre temas como transporte, saúde e a crise do BRB.

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